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1º Fórum do Médico Jovem debate ciência, saúde mental e protagonismo profissional no segundo dia de programação

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No segundo e último dia do 1º Fórum do Médico Jovem, realizado neste sábado (7), a programação foi dedicada à reflexão sobre os desafios atuais e as perspectivas para a medicina nas próximas décadas. O evento ocorreu nos dias 6 e 7 de março de 2026, na sede do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina, em Florianópolis, reunindo especialistas para discutir temas estratégicos para a formação e a atuação dos novos profissionais.

Pesquisa Científica na Carreira Médica

A abertura das atividades ficou a cargo da neurologista Dra. Kátia Lin, professora da Universidade Federal de Santa Catarina, que abordou o papel da pesquisa científica na trajetória profissional. Em um cenário marcado pela chamada “infodemia”, caracterizada pela circulação acelerada de informações sem comprovação científica, a palestrante destacou a importância de que os médicos desenvolvam pensamento crítico para avaliar fontes confiáveis e basear suas decisões no método científico. Nesse contexto, ressaltou que tecnologias como a inteligência artificial podem atuar como ferramentas de apoio, mas não substituem o raciocínio clínico e o julgamento médico.

Formação médica e visão humanística da profissão

Na sequência, o corregedor do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina, Dr. Roberto Luiz D’Ávila, destacou que a medicina ultrapassa os limites da prática clínica e envolve também áreas como gestão, ensino, pesquisa, inovação e atuação social. Ao compartilhar sua trajetória profissional, enfatizou a importância do aprendizado à beira do leito, da observação cuidadosa do paciente e de uma formação humanística. Segundo ele, o contato com a arte, a literatura e outras manifestações culturais contribui para ampliar a sensibilidade e a compreensão humana dos médicos.

Produtividade ou exaustão: como manter a saúde mental na pressão da medicina

O psiquiatra Dr. Alexandre Ferreira Bello conduziu a discussão sobre saúde mental na carreira médica, abordando os impactos da pressão profissional no cotidiano dos médicos. Entre os fatores apontados estão a falta de estrutura de trabalho, mudanças no mercado, mercantilização dos serviços e a percepção de desvalorização da profissão. O cenário favorece o aumento do esgotamento profissional, marcado por exaustão emocional, distanciamento no atendimento e redução da realização pessoal. A palestra também destacou a importância de estratégias institucionais e individuais para preservar o bem-estar dos profissionais, como redução da sobrecarga administrativa, promoção da autonomia clínica, prática de atividades físicas e fortalecimento de redes de apoio.

Planejamento Financeiro Médico: do primeiro plantão à aposentadoria

O cirurgião oncológico Dr. Rafael Klee de Vasconcellos, vice-presidente da Unicred Valor Capital, apresentou orientações sobre planejamento financeiro na carreira médica. A palestra enfatizou a necessidade de organização financeira desde o início da trajetória profissional, incluindo a criação de reserva de emergência, a preparação para o período da residência médica e a realização de investimentos ao longo da carreira. O especialista destacou que o planejamento patrimonial deve acompanhar as diferentes fases da vida e que a disciplina e a constância nas decisões financeiras são essenciais para garantir estabilidade e segurança no futuro.

Colóquio: O que as Comissões dos CRMs/CFM podem fazer pelo Jovem Médico?

O colóquio reuniu representantes de entidades médicas para discutir o papel dos Conselhos de Medicina no apoio ao jovem médico. Participaram do debate Gabriel Sanchez Okida, da Comissão de Ensino Médico do CFM, Dra. Melina More Bertotti, representante da Comissão do Médico Jovem do CRM-SC, Dr. Lucas Faidiga, presidente da Associação Nacional de Médicos Residentes, e Dra. Graziela Schmitz Bonin, conselheira do Conselho Federal de Medicina e vice-corregedora do CRM-SC.
Durante a discussão, foram debatidas formas de aproximar os Conselhos dos médicos em início de carreira, incluindo o momento ideal para essa aproximação ainda durante a formação acadêmica e iniciativas que possam apoiar os profissionais recém-formados em sua inserção no mercado de trabalho.

Política e Medicina: por que o médico precisa participar das decisões do país

Encerrando a programação, o médico e deputado estadual Dr. Vicente Caropreso abordou a relação entre medicina e política. Ao relatar sua trajetória conciliando a prática médica com a atuação no Legislativo, destacou a importância da participação da classe médica nos espaços de decisão pública. Segundo ele, a presença de médicos na política contribui para fortalecer a defesa do ato médico e para a construção de legislações baseadas em critérios técnicos, reforçando a necessidade de ampliar a representação da categoria nas diferentes esferas do poder público.

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