Medicina do futuro, carreira e ética digital marcam o primeiro dia do 1º Fórum do Médico Jovem Publicado em:
O primeiro dia de programação do 1º Fórum do Médico Jovem, realizado nesta sexta-feira (06), foi dedicado ao debate sobre os desafios e as perspectivas da Medicina do Futuro. O evento acontece nos dias 06 e 07 de março de 2026, na sede do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC), em Florianópolis.
A iniciativa é promovida pelo CRM-SC, por meio da Comissão do Médico Jovem, em parceria com a Associação de Estudantes de Medicina do Brasil (AEMED-BR) e a Associação de Estudantes de Medicina de Santa Catarina (AEMESC). O encontro reúne estudantes de Medicina e médicos em início de carreira para discutir temas como tecnologia na saúde, mercado de trabalho, ética profissional e os desafios da classe médica.
Ao longo do dia, especialistas convidados abordaram diferentes aspectos da profissão, desde as transformações tecnológicas até a importância da atuação institucional e da comunicação responsável no ambiente digital.
Palestra: Tecnologia e inovação: como o médico mantém protagonismo em um sistema cada vez mais digital
Abrindo a programação, a mesa-redonda “Medicina do Futuro” trouxe reflexões sobre como a tecnologia, a inteligência artificial e os dispositivos digitais vêm transformando a prática médica.
Durante a palestra “Tecnologia e inovação: como o médico mantém protagonismo em um sistema cada vez mais digital”, o médico Dr. Ademar José de Oliveira Paes Junior, presidente da Unimed Grande Florianópolis e fundador da LifeSub, destacou que a tecnologia deve ser compreendida como uma aliada da prática médica.
Segundo ele, o avanço das tecnologias de informação e comunicação tem ampliado a produção de dados em saúde, exigindo do médico novas competências para interpretar e integrar essas informações no cuidado ao paciente. “O médico não será substituído pela tecnologia, mas por médicos que saibam utilizá-la”, afirmou.
Entre os pontos discutidos estiveram a fragmentação dos dados no sistema de saúde, a necessidade de interoperabilidade entre plataformas digitais e o papel do médico como integrador dessas informações. O palestrante também ressaltou a transição de um modelo de medicina focado na doença para uma abordagem mais voltada à promoção da saúde e ao acompanhamento contínuo do paciente.
Palestra: Carreira Médica no Brasil: Desafios Atuais e Perspectivas Futuras
Na sequência, a palestra “Carreira Médica no Brasil: Desafios Atuais e Perspectivas Futuras” abordou o cenário profissional enfrentado pelas novas gerações de médicos.
O médico Dr. João Henrique Cunha Villela, cirurgião de cabeça e pescoço com atuação em assistência médica, gestão em saúde e empreendedorismo, destacou que o mercado de trabalho na Medicina passa por transformações importantes, impulsionadas pelo crescimento do número de profissionais e pelas mudanças tecnológicas.
Entre os principais desafios apontados está a expansão da população médica no país, com projeções que indicam a possibilidade de o Brasil ultrapassar a marca de 1 milhão de médicos na próxima década. Ao mesmo tempo, o especialista destacou o desequilíbrio na distribuição de profissionais, concentrados principalmente nos grandes centros urbanos.
Outro ponto discutido foi a oferta limitada de vagas de residência médica, que ainda representa um obstáculo para muitos recém-formados. Diante desse cenário, o palestrante reforçou a importância de uma formação sólida, da busca contínua por qualificação e do desenvolvimento de habilidades relacionadas à inovação, liderança e empreendedorismo.
Palestra: Redes sociais e publicidade médica: responsabilidade no ambiente digital
A relação entre Medicina e comunicação digital também foi tema de destaque no evento. Na palestra “Redes Sociais e Publicidade Médica: onde o médico mais erra”, o médico ortopedista e especialista em medicina do esporte Dr. Paulo Cavalcante Muzy falou sobre os desafios da atuação profissional nas redes sociais.
Com milhões de seguidores nas plataformas digitais, Muzy destacou que a presença de médicos no ambiente online exige responsabilidade e compromisso com a qualidade da informação.
Segundo ele, a atenção do público se tornou a principal “moeda” da internet, o que aumenta a necessidade de que profissionais de saúde utilizem esse espaço para compartilhar conteúdos baseados em evidências científicas. “A medicina não é um produto, mas um serviço, e a forma como o médico se posiciona e comunica é crucial”, afirmou.
Durante a apresentação, o palestrante também criticou a disseminação de cursos que prometem crescimento rápido nas redes sociais sem considerar princípios éticos da profissão. Para ele, o verdadeiro sucesso na carreira médica digital está relacionado à confiança e ao impacto positivo gerado na vida das pessoas.
Palestra: CRM-SC na prática: direitos, deveres e proteção do médico
Outro momento da programação foi dedicado à apresentação institucional sobre o funcionamento do Conselho Regional de Medicina e seu papel na orientação e fiscalização da prática profissional.
Na palestra “O CRM-SC na Prática: direitos, deveres e proteção do médico”, ministrada pela presidente do CRM-SC, Dra. Andréa Antunes Caldeira de Andrada Ferreira, foram apresentados aspectos da estrutura e das atribuições dos Conselhos de Medicina, criados pela Lei nº 3.268, de 1957, com a finalidade de normatizar, fiscalizar e julgar o exercício profissional.
A apresentação destacou que o CRM atua na proteção da sociedade e na garantia da boa prática médica, além de oferecer orientação aos profissionais por meio de cursos, eventos e ações de educação continuada.
Também foram explicadas as etapas de apuração de denúncias éticas, desde a fase de sindicância até a eventual abertura de processo ético-profissional, reforçando a importância de uma prática médica pautada na ética, na documentação adequada dos atendimentos e no bom relacionamento com os pacientes.
Palestra: Desafios da classe médica e defesa
Encerrando a programação do dia, a palestra “Desafios da Classe Médica” ministrada pelo vice-presidente do CRM-SC, Dr. Marcelo Lemos dos Reis, abordou questões estruturais que impactam a profissão no Brasil.
Entre os temas discutidos estiveram o crescimento expressivo do número de faculdades de Medicina, a necessidade de garantir qualidade na formação médica e a insuficiência de vagas de residência médica para os novos profissionais.
O palestrante também destacou preocupações relacionadas à ampliação indevida de competências por outras áreas da saúde e à necessidade de maior união e representatividade da classe médica na defesa da profissão e da qualidade da assistência à população.
O 1º Fórum do Médico Jovem segue neste sábado (07), com novas atividades voltadas à formação, orientação profissional e debate sobre os caminhos da Medicina no país.





