Diretoria e conselheiros do CRM-SC marcam presença no 1º Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina, em Florianópolis Publicado em:
O I Encontro Nacional de Conselhos de Medicina 2026 teve início na manhã desta quinta-feira (12), em Florianópolis-SC. O evento que segue nesta sexta-feira, dia 13, congrega representantes dos CRMs de todos os estados, além de autoridades e homenageados. O presidente do Conselho Federal de Medicina, José Hiran da Silva Gallo, destacou a importância da integração entre a autarquia federal e suas representantes estaduais. “Essa reunião ocorre num momento particularmente desafiador para a medicina brasileira e o sistema conselhal assume um papel fundamental; o médico precisa saber que a instituição que o representa sustenta valores éticos e científicos”, afirmou.
Também compuseram a mesa, Emmanuel Fortes, 1º vice-presidente do CFM, Andréa Antunes, presidente do CRM-SC, Graziela Schmitz Bonin, conselheira federal titular pelo estado de Santa Catarina e Marcelo Lemos dos Reis, conselheiro suplente também pelo estado-sede do evento.
A solenidade de abertura foi marcada por homenagens a médicos com notável atuação em prol da medicina brasileira. Um dos homenageados foi o corregedor do CRM-SC, Roberto D’ávila, cardiologista com longa carreira no antigo Inamps e ex-presidente do CFM.
Além da diretoria do CRM-SC, o evento foi prestigiado pela maioria dos conselheiros do CRM-SC.
Presidente do CRM-SC explana sobre a necessidade de valorização do trabalho médico
Os desafios enfrentados pela classe médica, com a abertura desenfreada de faculdades de medicina e a precarização das relações trabalhistas, foram abordados no painel “Trabalho Médico, Vínculos e Valorização”, apresentado pela presidente do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC), Andréa Antunes Ferreira. “Essa é uma realidade que afeta não só o médico, mas todo o sistema de saúde e a população, pois leva a um adoecimento do profissional e a uma queda na qualidade do atendimento”, afirmou.
Após apresentar dados demográficos, a painelista vaticinou que, em breve, o Brasil vai ultrapassar a média de 3,7 médicos por mil habitantes preconizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). “Hoje, com 635 mil médicos, já temos três médicos por mil habitantes. Porém, com 570 faculdade de medicina, milhares de médicos se formam anualmente e, rapidamente ultrapassaremos um milhão de médicos. Estamos nos tornando uma commoditie barata”, vaticinou.
Precarização da carreira
O resultado da abertura indiscriminada de escolas médicas é o estabelecimento de vínculos frágeis, remuneração defasada, pejotização, aumento da judicialização e o adoecimento mental do médico. “O médico se transformou em uma commoditie barata”, lamentou. Andrea Antunes argumentou que a pejotização apenas tirou do médico os direitos trabalhistas. “Ele é forçado a ter CNPJ, mas tem de bater ponto. Assume o risco da empresa, sem ter a autonomia que um empreendedor tem. É a responsabilidade máxima, com apoio mínimo” resumiu.
Outro problema é a judicialização, a maioria decorrente da insatisfação do paciente com a estrutura física. “Temos 400 mil processos judiciais ativos contra médicos. A maioria não diz respeito a erros médicos, mas à falta de condições de trabalho para o médico”, argumentou. “Essa situação levou a um círculo vicioso, que onera o sistema. O prontuário médico virou testemunha da defesa médica, em vez de ser usado para a continuidade do cuidado”, argumentou.
Protagonismo médico
Para mudar a situação atual, a painelista propôs que o médico reassuma o protagonismo e liderança das equipes médica, saiba precificar seu trabalho e que os conselhos de medicina continuem combatendo a precarização do trabalho médico, a abertura indiscriminada de escolas médicas e interditando eticamente locais inapropriados para o serviço médico. “A população é quem perde com uma medicina precarizada e os Conselhos de Medicina são o porto seguro para a atividade médica”, afirmou.
A mesa foi coordenada pelo presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (Cremern), Marcos Jácome; secretaria pela conselheira do CRM-SC Tânia Elena Nicolodi e moderada pela conselheira federal Yáscara Lages, que defendeu a unidade das entidades médicas. “O cenário apresentado é preocupante, com a pejotização, vínculos precarizados, desvalorização remuneratória e deteriorização das condições de trabalho. Temos de transformar a indignação em união das entidades médicas e protagonismo na defesa da medicina”, comentou.











